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Onde foi parar a estabilidade? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 18 de Outubro de 2016 19:39


Muitas vezes ao perguntar em sala de aula o real motivo de um aluno escolher determinado curso na graduação, especialmente de Administração ou Direito, a resposta, em diversos casos é convicta: quero fazer concurso público.  Já cheguei a obter resultado de até 50% da turma sonhando com um emprego público.

E por quê? Altos salários ou possibilidade de desafios? Não exatamente. Abnegação para servir à pátria e dedicar horas do seu dia e seus talentos ao país? Também não. Uma carreira promissora e frutífera! Não necessariamente. Uma resposta é sempre certa: estabilidade.

Emprego público sempre foi sinônimo de “pouco mas certo”, no Brasil. A estabilidade, impossibilidade de enfrentar uma demissão e todos os seus problemas. Ou até mesmo enfrentar o mercado de trabalho e seus riscos são fatores impensáveis para quem, de maneira consciente e deliberada, opta por enfrentar um concurso público e garantir seu lugar ao sol. Com mérito próprio, mas sem continuar na suscetibilidade das ondas que o mercado de trabalho privado aponta (ou para alguns, apronta!) milhares de alunos lotam cursos e consomem apostilas preparatórias para chegar ao tão sonhado emprego público.

 

 

Mas que outros motivos podem levar os profissionais, especialmente jovens universitários ou recém-formados, a escolher a carreira pública, seja como funcionário ou como servidor público? Precisamos admitir que existem algumas diferenças entre a carreira pública e aquela que ocorre na empresa privada. Uma das questões é a meritocracia.

Não que ela não exista no emprego público, cada vez mais este conceito está sendo aplicado em órgãos e empresas públicas. Entretanto, algumas características da esfera pública são marcantes. Por exemplo, a não exigência de experiência. Muitos jovens universitários me procuram sem saber como conseguir emprego nas empresas privadas. Um simples estágio exige, muitas vezes, experiência de um ano ou mais. O que dificulta adquirir a primeira experiência. No caso de um emprego público, basta a este jovem passar na prova do concurso para poder exercer seu cargo, com ou sem experiência.

Por outro lado, para profissionais experientes, este pode ser um motivo de insatisfação. Não é fácil ter formado um background profissional e receber o mesmo salário que um jovem iniciante na carreira. Via de regra, não há diferença entre os salários recebidos por alguém sem experiência e profissionais com anos vivência e atuação no mercado. Esta questão é irrelevante para o cálculo de salários ou benefícios. A exceção é para a qualificação: títulos de pós-graduação, mestrado ou doutorado podem garantir um salário maior e até ser critério de desempate e classificação no concurso prestado.

Além disso, no concurso público a impessoalidade é assegurada por lei. Sendo assim, não há preconceito ou discriminação contra cor, raça, religião, idade.  Nem mesmo critérios de beleza física ou simpatia contam pontos na hora de contratar. Vale a nota da prova e ponto final.  Claro que este fator interessa a muitos jovens também e conta na hora da escolha.  Deveria ser assim também na empresa privada, mas...

O emprego público sempre teve seu papel e sua importância para o estado. Mas independente do ramo de atividade e motivos adjacentes, para quem procura por este tipo de emprego a estabilidade sempre foi o principal atrativo. Existe uma diferença entre estabilidade e segurança, juridicamente falando. Em breve vou escrever sobre isso em outro artigo. Mas o sentido da estabilidade sempre foi um atrativo para o funcionalismo público.

Recentemente o jornal O Globo trouxe uma notícia em sua capa que me causou certa surpresa:  O governo do Rio de Janeiro estuda possibilidades e está prestes a anunciar um programa de demissão voluntária para funcionários públicos do estado.  Com isso, onde foi parar a estabilidade? Se ela, que geralmente é o principal fator que atua como critério de escolha para empregos públicos está sob ameaça, que sentido faz? Ou ainda, que motivos levaria alguém que buscava estabilidade agora abrir mão dela?

Outra questão pontuada na própria matéria: demissão requer dinheiro em caixa. E se o estado está com problemas financeiros, como será resolvida esta grave questão? Entretanto, outro ponto interessante para refletirmos é o seguinte: por que alguém adere aos chamados PDV´s (programas de demissão voluntária)? Os motivos são diversos, mas muitos desses profissionais investem o valor recebido na indenização em negócios próprios.

Eis minha questão: será que um servidor ou funcionário público, que escolheu sua carreira buscando estabilidade, está pronto para enfrentar as instabilidades do mercado como um empreendedor? Será que ele tem o chamado espírito empreendedor?

 

Não discuto aqui qualificação, mas perfil: alguém que busca estabilidade estará disposto a enfrentar turbulências e desafios que o empreendedorismo impõe? Este pode ser um risco não calculado e trazer muita dor de cabeça. No próximo artigo falarei um pouco mais sobre esse tal perfil empreendedor.

Última atualização em Ter, 18 de Outubro de 2016 19:45
 

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