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Contribuição histórica dos documentários PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Qua, 23 de Setembro de 2009 16:36


Conforme encontramos na revista VEJA em 31/07/2009, o recente documentário The Cove chamou a atenção do planeta para a crueldade da matança dos golfinhos no Japão. Anualmente, cerca de 20.000 animais são encurralados com redes e, em seguida, abatidos com arpões e golpes de facões e machados, formando uma enorme mancha de sangue do oceano. Para os defensores do costume, que já dura mais de 400 anos, a atividade representa o sustento de milhares de pescadores. As sociedades protetoras dos animais, no entanto, afirmam que a matança visa a reduzir a população de golfinhos, aumentando a presença dos peixes que lhes servem de alimento e cuja pesca é mais rentável para os pescadores.

Independentemente de quem esteja com a razão, o documentário conseguiu o seu objetivo: despertar o debate sobre essa prática cruel e covarde contra os animais. Da mesma forma que The Cove, ao longo dos anos vários outros documentários têm servido para entreter e, sobretudo, informar a humanidade sobre os mais diversos temas, ajudando também a construir uma versão cinematográfica da história recente.


É importante registrarmos aqui a importância desse gênero cinamatográfico - o documentário, como algo que tem elevado valor. Para alguns historiadores, o gênero é tão antigo quanto o próprio cinema. Segundo esta corrente, quando, despretensiosamente, os irmãos Lumière filmavam e exibiam cenas do cotidiano, estavam retratando o dia-a-dia de seu tempo.

Esse tipo de tema está presente desde a primeira exibição cinematográfica de que se tem história. Em 28 de dezembro de 1895, Auguste e Louis Lumière apresentaram o seu primeiro filme, L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat (“Chegada de um trem na estação de La Ciotat”), na cave do Boulevard des Capucines, em Paris. Com apenas 49 segundos de duração, o filme mostra, em um plano de perspectiva diagonal a partir da estação de La Ciotat, a aproximação de um trem.  Ficou curioso?  Assista ao vídeo em www.youtube.com/watch?v=1dgLEDdFddk.

Imagine você que os espectadores estavam assistindo ao filme na estreia, despreparados e assustados com a imagem do trem vindo em sua direção, gritaram e correram desesperadamente para o fundo da sala.

Apesar de o gênero, na prática, estar presente no cinema desde o nascimento da sétima arte, a palavra “documentário” só passou a ser usada no final dos anos 1920, com a escola documental inglesa. Antes disso, o cineasta, jornalista e documentarista russo Dziga Vertov (1896-1954) desenvolveu o conceito de “cinema-verdade”, que defendia a ideia da veracidade do que se podia ver através do olho da câmara – na opinião dele, mais fiel à realidade que o próprio olho humano. Este conceito, aliás, foi ilustrado pelo filme Cine-Olho, que Vertov apresentou em 1924.

Ao longo dos anos, os documentários ganharam formatos diferentes (com narração em primeira ou em terceira pessoa, por exemplo), e passaram a abordar os mais diversos temas. História, jornalismo, esportes, celebridades, meio ambiente e vários outros segmentos tornaram-se matérias-primas para esse gênero, cada vez mais presente nas telas grandes do cinema e pequenas (às vezes nem tanto) das TVs a cabo.

Para os especialistas, este gênero cinematográfico tem uma espécie de compromisso com a exploração da realidade, embora não se possa garantir que o seu resultado represente essa realidade exatamente como ela é. Em outras palavras, embora se proponha a retratar a verdade – tão cara a Vertov –, o documentário é uma representação apenas parcial e subjetiva da verdade – da mesma forma que o cinema de ficção. Daí também se pode concluir que, mostrando uma visão apenas parcial, na maioria das vezes o documentário também será um instrumento para a defesa de uma ou outra posição em relação ao tema retratado.  Entretanto, não podemos negar o seu valor como contribuição investigativa e elucidativa.

Um dos maiores documentaristas da atualidade, o americano Michael Moore virou um tormento para empresários e políticos dos EUA. Em 1989, Michael Moore dirigiu Roger e Eu, um filme que fez história ao narrar sua aventura pessoal para entrar em contato com o presidente da General Motors, Roger Smith, e indagá-lo sobre os habitantes da cidade de Flint, frente ao desemprego criado depois do fechamento de fábricas da GM. Nesse filme, já aparecem algumas das características que definiriam o seu modo de filmar determinadas realidades angustiantes com uma dose de humor corrosivo. Em outro documentário, The Big One (1997), Moore divulgou ao público as tramas das grandes empresas e dos políticos insensíveis e indiferentes, obrigando a que a multinacional Nike deixasse de utilizar crianças como força de trabalho barata na Indonésia. Entre os seus filmes mais famosos estão Fahrenheit 11/9, em que critica o presidente George W. Bush, e Tiros em Columbine, em que mostra o massacre numa escola americana relacionando-o com a obsessão por armas nos Estados Unidos.

No caso de The Cove, que alertou o planeta para a morte cruel dos golfinhos, é fácil concluir que os autores têm uma posição contrária à matança dos animais. O que não desmerece o seu trabalho – que, aliás, foi premiado mundialmente.

Outro documentário que fez sucesso recentemente foi Uma Verdade Inconveniente, de 2006, no qual o ex-vice-presidente americano Al Gore adverte o mundo sobre a gravidade de um problema que aflige a todos nós: o aquecimento global.

Que tal assistir agora ao trailer de The Cove (www.youtube.com/watch?v=Sw5qgVp0jng)?

Aproveite para formular sua própria opinião sobre outras temáticas abordadas aqui, assistindo tamtém aos trailer dos filmes citados:

Tiros em Columbine, de Michael Moore (2002) - http://www.youtube.com/watch?v=kSn5UEiovxo
Fahrenheit 9/11, de Michael Moore (2004) - http://www.youtube.com/watch?v=2Zf2nCiBJLo
Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore (2006) - http://www.youtube.com/watch?v=Yh330_gkOsU

Sicko - $O$ Saúde, de Michael Moore (2007) - http://www.youtube.com/watch?v=q2DwFiQpFbc



Última atualização em Ter, 06 de Outubro de 2009 00:59
 

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